segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Empresas aderem às redes sociais sem levar a sério




 Pesquisa do Instituto Brasileiro de Inteligência de Mercado (Ibramerc) aponta que 65% das empresas já estão presentes nas redes sociais.
Fonte: Brasil Económico


Apesar da alta adesão, apenas 7% consideram que utilizá-las seja, de fato, imprescindível. Longe disso, a maioria - 47,9% - encara apenas como uma iniciativa desejável.
"Apesar das redes sociais estarem num patamar de alta utilização pelas empresas, elas ainda são vistas como um canal complementar. Ou seja, todos entendem como um meio de comunicação muito importante, mas não fundamental. A maioria ainda está em fase de teste, buscando entender como isso realmente pode agregar ao seu negócio", acrescenta Richard Lowenthal, diretor-executivo do Ibramerc.
A pesquisa foi realizada com 251 empresas com faturamento variável entre R$ 100 e R$ 300 milhões, R$ 300 e R$ 600 milhões e acima de R$ 600 milhões, buscando ouvir companhia de diversos portes.
As redes sociais de maior destaque entre as empresas são Twitter (84%), YouTube (62%) e Facebook (61%).
Para os entrevistados, o Twitter é a bola da vez e foi apontado como a rede mais relevante para 42% das organizações. De acordo com Lowenthal, "o twitter é a onda do momento no que se refere às redes sociais. Diferente de outras, demanda menos esforço de atualização".
É neste tipo de pensamento que mora um grande problema que pode prejudicar a imagem e levar à descrença dos consumidores nas empresas que se aventuram nas redes sociais. Muitas marcas não percebem que registrar um perfil apenas para fazer parte de um movimento pode ser pior do que não estar presente na web.
"Não basta somente ter presença digital, é preciso ter logística para que você responda às reclamações e aos pedidos e a maior parte das empresas não cria infraestrutura para isso", confirma Lowenthal.
Para Pollyana Miranda, analista de mídias sociais de grandes empresas e instituições, as companhias que não respondem aos seus seguidores acabam indo na contramão do que realmente pretendem, que é divulgar seus produtos ou serviços.
Essas empresas acabam prejudicando sua marca perante diversos usuários na internet, já que a informação será lida pelos seguidores daquele perfil e pode ainda ser retwittada (quando uma informação é encaminhada por outro perfil para todos os seus seguidores) por um número incalculável de perfis.
"Eles não utilizam o princípio básico das redes sociais que é o conceito da web 2.0, da interação com os usuários. No caso deles, além de usuários, são clientes", explica Miranda.
A tese de Pollyana é confirmada pelo publicitário Rodrigo de Aquino, que mantém um perfil no Twitter e tentou contato com sua operadora de celular sem obter sucesso. Aquino conta que se sentiu desrespeitado ao tentar contato com os dois perfis da empresa e acabou cancelando os planos de internet 3G e telefonia.
"Não adianta tentar criar uma imagem e um discurso bonitos se não têm uma atitude que sustente isso. Assim, a credibilidade da empresa cai por terra", afirma.
Em contrapartida, há empresas que não esperam ser acionadas em seus perfis para dar uma resposta aos clientes. O ator Fernando Booyou, por exemplo, conta que citou o nome de um banco em seu perfil apenas uma vez e rapidamente obteve resposta da companhia. Como seus problemas foram solucionados, Booyou elogiou a marca para seus mais de mil seguidores.
Esse tipo de atuação positiva só é possível quando a empresa investe em profissionais que cuidam de seus perfis e fazem monitoramento do que é falado sobre sua marca nas redes sociais.
Benefícios
Já que uma fatia pequena das empresas leva seus relacionamentos virtuais a sério, pelo menos por enquanto, apenas 45% delas afirmaram que o fortalecimento da marca foi o maior benefício trazido pelas redes sociais. "Ainda é muito difícil para a empresa quantificar esses benefícios e entender como se mede o retorno sobre isso. Alguns formatos ainda estão sendo consolidados", explica Lowenthal.
As redes sociais também têm sido aproveitadas pelas empresas para ações de coleta e análise de informações. A idéia é usar esse novo meio até mesmo para saber o que a concorrência está fazendo. Segundo a pesquisa, as práticas mais comuns são monitorar o mercado (46%), o comportamento dos clientes (45%) e a concorrência (39%).

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