segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Franchising: uma opção de crescimento para PME









Franchising: uma opção de crescimento para PME
Enquadramento 
Num mundo empresarial marcado pela globalização e, consequentemente, cada vez mais exigente e competitivo, as empresas confrontam-se com a necessidade de “alargar/defender a sua rede de actuação”, ou seja, com a necessidade de garantir um adequado posicionamento estratégico que lhes assegure uma posição sustentável na cadeia de valor do negócio. 
Esta será, porventura, a única forma de assegurar que as vantagens competitivas hoje existentes serão mantidas no futuro, garantindo assim a sustentabilidade do negócio. 
Como iremos ver de seguida, o recurso ao “Franchising”, por parte do detentor de uma marca, à exploração de um produto ou serviço, poderá inserir-se numa estratégia de criação de valor, com risco aceitável. 

Os requisitos necessários (mas não, por si só suficientes) para o recurso ao “Franchising” por parte das PME, como estratégia de desenvolvimento, deverão ter subjacente uma estratégia consolidada no que toca: 
(I) à estabilidade da “marca” e/ou produto/serviço e ainda 
(II) à amplitude do mercado/clientes potenciais. 

O Instituto de Informação em Franchising realizou um censo (5.º CENSO IIF) onde concluiu que, desde 1999, o Franchising iniciou em Portugal um processo de estabilização. O total de franchisadores activos em Portugal passou de 308 para 357 (cerca de 123 são Portugueses), respectivamente em Dezembro de 1998 e 1999. Este aumento não foi líquido, uma vez que em 1999 entraram 97 novas redes de Franchising para Portugal e em contrapartida foram eliminadas 48 marcas da lista de franchisadores activos (8 franchisadores portugueses). 
Dos referidos 97 novos franchisadores, os sectores escolhidos foram os seguintes: 

Conceitos básicos Existe uma panóplia de termos associados ao “Franchising” que deverão ser dominados, nomeadamente os seguintes: 

Franchising 
Consiste num modelo ou sistema de desenvolvimento de negócios em parceria, através do qual uma empresa, com um formato de negócio já testado, concede a outra empresa/empresário o direito de utilizar a sua marca, explorar os seus produtos e serviços bem como o respectivo modelo de gestão, mediante uma contrapartida financeira. 

Franchisador 
É a empresa que desenvolve um conceito de negócio completo e que, depois de o testar com sucesso, concede a outros o direito de explorar a fórmula da operação e de utilizar a marca, explorar os seus produto/serviços. Os princípios orientadores do Franchisador podem ser resumidos em: 
(I) ter concebido e explorado com sucesso um conceito, durante um período de tempo razoável e ter explorado no mínimo uma unidade piloto antes do lançamento da rede, 
(II) ser o titular dos di-reitos associados à marca/produto e serviço, e 
(III) providenciar formação inicial dos seus Franchisados e contínua assistência comercial e/ou técnica durante a vigência do contrato. 

Franchisado 
É aquele que compra os direitos a um franchisador para explorar o seu conceito de marca, explorar os seus produto/serviços numa certa região, obrigando-se a seguir a estratégia definida pelo franchisador, em termos de produtos, segmentos, preços e imagem, entre outros. Os princípios orientadores do franchisado consistem em 
(I) congregar esforços para o desenvolvimento da rede de franchise, conservando a identidade e reputação da rede, 
(II) fornecer ao franchisador dados indispensáveis a um eficaz controle da gestão, e 
(III) não divulgar a Terceiros o know-how transmitido pelo franchisador, durante, ou após a cessação do contrato. 

Direito de entrada Valor pago pelo franchisado ao franchisador na altura da assinatura do contrato. Consiste numa espécie de “jóia de adesão” que remunera o franchisador pela sua experiência e notoriedade da marca/produto/serviço e ainda pelos serviços iniciais prestados aos franchisings na abertura da unidade. Em algumas situações pode incluir também equipamentos para a operação. 

Royalties 
Taxa paga pelos franchisados ao longo da existência da loja pelo direito de uso contínuo da marca e pelos serviços e apoio presta-dos pelo franchisador. Normalmente é cobrado mensalmente em função de uma percentagem sobre as vendas. Em alguns casos a percentagem recai sobre as compras. 

Taxa de publicidade É a contribuição que todas as unidades inclusive o franchisador, fazem para um fundo comum, que será utilizado na promoção conjunta da marca e dos produtos/serviços da empresa. Em geral, consiste num valor cobrado (mensalmente) com base numa percentagem sobre as vendas. 

Ambas as partes, Franchisador e Franchisado, devem respeitar obrigações, nomeadamente: 
(I) agir com lealdade e equidade no relacionamento mútuo, e 
(II) resolver os conflitos e litígios, através da comunicação e negociação directas. 

Implementação de um sistema de Franchising 
A opção pelo recurso ao Franchising poderá ser uma estratégia de crescimento das pequenas e médias empresas, que consiste em expandir a fórmula original do “negócio”, adaptando-a pontualmente aos hábitos dos diversos mercados, mas sem contudo nunca perder a identidade do negócio. 
Assim, ao criar e/ou expandir a sua rede através do franchising, ao invés de desenvolver simplesmente uma rede própria, o franchisador está, pontualmente, a aceder mais rapidamente a determinados mercados, em condições que, sobretudo, envolvem um muito menor investimento da sua parte.





2 comentários:

  1. Para complementar o artigo, actualizo informação referente ao mercado do franhising em Portugal:
    Volume de negócios: 5.044 milhões de Euros
    Emprego: 69.536 postos de trabalho
    Nº de marcas: 524
    Nº de novas marcas: 79
    Nº de unidades: 11.471
    Fonte: 15º Censo IIF Franchising em Portugal
    Andreia Jotta

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  2. Cara Andreia Jotta,

    obrigada, pela sua informação.

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